Diego Mirhan
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Notícias · · 4 min de leitura

GPT-6.1 Sol chega perto do Astra por um quinto do preço, segundo a OpenAI

O novo modelo da OpenAI cobra um quinto do preço do Astra. Mas a versão rápida dele sai mais cara que o Astra normal, e escolher modelo virou um triângulo.

"Quase Astra, bem mais barato." sobre foto de arte oficial do GPT-6.1 Sol: um sol entre estrelas; selo: 1/5 do preço
A arte oficial do GPT-6.1 Sol: o novo modelo da OpenAI chega perto do Astra cobrando um quinto do preço por token. Imagem: OpenAI

A OpenAI apresentou nesta terça, 29 de setembro, durante o DevDay, o GPT-6.1 Sol, um modelo que segundo a empresa chega perto do GPT-6 Astra em programação e uso de computador cobrando um quinto do preço por token, como detalha a cobertura da VentureBeat. Para quem paga API por mês, isso muda a pergunta: o modelo mais inteligente deixa de ser a escolha óbvia, e o preço e a velocidade entram na conta.

O que foi anunciado

O GPT-6.1 Sol chega uma semana depois do GPT-6 Sol, lançado em 22 de setembro, conforme o TechCrunch. Ele já está na API e, no ChatGPT, aparece no ChatGPT Work e no Codex para assinantes Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu. No chat comum, por enquanto, não.

Os preços, segundo a tabela publicada pela VentureBeat, são US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída, iguais aos do GPT-6 Sol. A diferença está na entrada em cache (tokens que o modelo já processou antes, como um prompt de sistema repetido), que caiu de US$ 0,20 para US$ 0,10. O GPT-6 Astra custa US$ 10 na entrada e US$ 50 na saída.

Os números de desempenho vêm da própria OpenAI. No DeepSWE, um teste de tarefas de programação, o Sol empatou com o Astra e ficou 6,4 pontos acima do GPT-6 Sol. No AutomationBench, superou o Claude Opus 5.5, da Anthropic, por 2,2 pontos, com o raciocínio no nível médio. No OSWorld 2.0, que mede uso de computador, ficou 2,1 pontos abaixo do Astra. Todos esses resultados estão na reportagem da VentureBeat.

O modelo também chegou ao GitHub Copilot no mesmo dia, para os planos Pro+, Max, Business e Enterprise, no VS Code, no Visual Studio, no JetBrains e no agente de código, segundo as notas de versão do GitHub.

Três modelos em quatro semanas

O ritmo ajuda a entender o anúncio. O GPT-6 Astra saiu em 3 de setembro. Em 22 de setembro vieram o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna, pela metade do preço da geração 5.6, de acordo com o TechCrunch. Na divisão da OpenAI, o Sol é para tarefas complexas, como programar. O Luna é para trabalho repetitivo em grande volume, como resumir documentos e extrair dados.

O que faltou no DevDay foi um GPT-6.1 Astra. O TechCrunch, citando o Wall Street Journal, conta que a OpenAI segurou esse lançamento depois que pesquisadores viram nos testes mais engano e uma tendência de seguir com tarefas sem pedir permissão ao usuário.

Ou seja, o modelo intermediário ganhou versão nova, e o topo de linha ficou parado por um problema de comportamento. Isso diz algo sobre onde está a dificuldade agora: tornar o modelo confiável parece mais difícil do que torná-lo mais capaz.

A conta que o desenvolvedor faz agora

Com o Sol, a OpenAI também lançou um nível de velocidade chamado Ultrafast, que gera até 300 tokens por segundo e cobra seis vezes o preço padrão, segundo a VentureBeat. No GPT-6.1 Sol, isso dá US$ 12 na entrada e US$ 60 na saída. A versão Ultrafast do Sol chega nos próximos dias.

Vale fazer a conta com uma tarefa típica de agente de código: ler 100 mil tokens de contexto (arquivos do projeto, histórico, instruções) e escrever 10 mil tokens de resposta. Com os preços da tabela da VentureBeat, o GPT-6 Astra padrão cobra US$ 1,00 pela entrada e US$ 0,50 pela saída, total de US$ 1,50. O GPT-6.1 Sol padrão cobra US$ 0,20 mais US$ 0,10, total de US$ 0,30. Já o GPT-6.1 Sol Ultrafast cobra US$ 1,20 mais US$ 0,60, total de US$ 1,80.

O detalhe que me chamou atenção é essa última conta. O Sol rápido sai mais caro que o Astra no modo normal. A escolha deixa de ser uma escada, do modelo barato ao caro, e vira um triângulo entre inteligência, preço e tempo de resposta. A própria VentureBeat descreve o anúncio dessa forma.

Na prática, isso favorece quem separa as tarefas do sistema. Um assistente que responde enquanto o usuário espera pode justificar pagar pela velocidade. Um agente que roda à noite corrigindo testes não precisa de 300 tokens por segundo e pode usar o Sol padrão. E o cache mais barato recompensa quem mantém o começo do prompt sempre igual, porque é essa parte repetida que o provedor reaproveita.

Para quem integra por meio do Copilot, a troca é quase invisível: o modelo aparece na lista do editor. O GitHub diz que, nos primeiros testes, o Sol terminou tarefas com menos tokens e menos passos que os modelos das famílias GPT-6 e GPT-5.6. Se isso se confirmar, o custo cai duas vezes: pelo preço por token e pela quantidade de tokens.

O que ainda não dá para saber

Todos os resultados de desempenho foram publicados pela OpenAI, e nenhuma das fontes traz uma medição independente do GPT-6.1 Sol até agora. Os testes escolhidos também dizem pouco sobre tarefas longas, em que um erro no começo se acumula ao longo de dezenas de passos.

O TechCrunch relata que as respostas com erro factual caíram de 11,4% para 7,7% no raciocínio mais leve, segundo a empresa. É uma melhora, mas também quer dizer que perto de uma resposta em cada treze ainda tem erro nesse modo. Para um agente que age sem supervisão, esse número pesa mais que a posição num ranking.

O DevDay também trouxe os Dots, agentes pessoais que ficam ligados o tempo todo, e suporte a uso de computador na Agents API, como descreve o The Register. Para quem desenvolve, porém, o Sol é o anúncio que mexe na fatura.

Minha aposta é que, em alguns meses, escolher modelo vai parecer escolher instância de nuvem: ninguém usa a maior para tudo, e o trabalho passa a ser medir quanto cada tarefa custa de verdade. O que me incomoda é que a OpenAI publica preço por token, mas não o custo por tarefa resolvida, que é o número que importa para quem paga a conta. Até alguém medir isso de fora, "quase igual ao Astra" continua sendo uma promessa da empresa.

Fontes

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